sábado, 28 de agosto de 2010

Fredrik Barth – Grupos Étnicos e suas fronteiras

Frederick Barth nasceu em 22 de dezembro de 1928, em Lepzig na Alemanha. Fez o mestrado na Universidade de Chicago(1949) e seu doutorado na Universidade de Cambridge(1957). Sua carreira começou na Universidade de Bergen como professor de Antropologia Social, onde fundou o Departamento de Antropologia Social sendo em parte responsável pela universidade estar em posição central na pesquisa social. Atualmente é professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Boston.
No livro intitulado “Grupos Étnicos e suas fronteiras” Barth traz uma abordagem sobre a etnicidade e a persistência das fronteiras criadas por partes das unidades étnicas.
A etnicidade estaria relacionada com a organização dos grupos étnicos, ela é atribuída pelos próprios autores, e as fronteiras seriam mantidas apesar da movimentação e intercambio entre eles, alem do que delimitariam a posição do grupo ou indivíduos nas diversas relações.
Certas relações estáveis são mantidas através dessas fronteiras baseadas em estatutos étnicos como afirma a seguir: “As distinções étnicas não dependem de uma ausência de interação social e aceitação, mas são, muito ao contrario, freqüentemente as próprias fundações sobre as quais são levantados os sistemas sociais englobantes”.(p. 186) .
Ele aborda 3 principais pontos nos ensaios desta obra.
1- define os grupos étnicos como categorias de atribuição e identificação realizadas pelos próprios autores, organizando assim a interação entre as pessoas.
2- explora os diversos processos que parecem estar envolvidos na geração e manutenção desses grupos.
3-desloca-se o foco de investigação interna aos grupos para as fronteiras étnicas e manutenção delas.
Barth utiliza as fronteiras para compreender as dinâmicas do grupo. Ele dinamiza a identidade étnica afirmando que ela não é estática, se transforma a partir das relações e como qualquer outra identidade, coletiva ou individual dependendo do interesse, ou contexto. A interação entre os sujeitos e grupos, permitem transformações continuas que modela a identidade, em processo de exclusão ou inclusão, determinando quem esta inserido no grupo e quem não está. Compartilham diversas características más principalmente esses grupos se organizam a fim de definir o “eu” e o “outro”. Se manifestam de maneira à categorizar e interagir com os outros.
Exteriormente atribuem aos grupos étnicos uma identidade baseada em fatores objetivos e que muitas vezes não correspondem as suas características reais. O autor recomenda que para entender as dinâmicas desses grupos é necessário levar em consideração as características que são significantes para os próprios atores.
Os grupos étnicos possuem padrões valorativos que os definem em quanto tal, e a forma como cada grupo ou cada um irá se portar em contato com outros grupos, na interação interétnica, com o intuito de adquirir visibilidade e dialogar com outro. No entanto esses padrões não são fixos, podem mudar e ressignificar-se em outro momento, conforme o contexto social.
Em suas pesquisas, ainda notou que os indivíduos e grupos com identidade étnica definem seus comportamentos a fim de ser coerente com sua identidade evitando praticas e situações que impliquem um desacordo com suas posições valorativas para evitar sanções sociais negativas. Ou seja, a manifestação de certas práticas dependem do contexto, da situação, do interesse por parte do indivíduo ou grupo.
A partir da análise das fronteiras se percebe as dinâmicas e interesses envolvidos no processo identitário, elas são mantidas a partir de um conjunto imitado de traços culturais. A auto-atribuição étnica irá influenciar na organização do grupo e interferir nas relações mantidas por eles.

4 comentários:

Frank Marcon disse...

É importante ressaltar que a análise de Barth sobre os grupos étnicos prioriza a análise sobre como os adscritores aparecem nas situações de fronteira étnica. Como tais adscritores emergem a partir dos reconhecimentos mútuos de identidade e alteridade. Por fim, ainda é importante destacar que muitas das reflexões de Barth sobre etnicidade podem ser apropriadas em outros contextos de estudos sobre identidades que não ressaltam a etnicidade (mas não pode ser confundidos genericamente com esta discussão). Ou seja, os estudos de Barth estão centrados na referência étnica como referência de identidade, mas sabemos que esta não é a única forma de expressão das identidades. Por isto, importa percebermos quais as características da categorização do fenômeno étnico. Para Barth e outros tantos é basicamente a noção de origem comum que os grupos elaboram sobre si e os outros(linguista ou territorial ou parentesco ou cultural, etc, ou mais de uma destas ao mesmo tempo). Já as motivações podem ser inúmeras, Barth dá alguma ênfase aos interesses materiais. É importante sempre prestarmos a atenção em como o "nós" e o "eles" aparecem no dia-a-dia, e na discussão sobre etnicidade, como ambos são justificados pela origem.

Dai disse...

O que mais me chamou atenção nessa obra foi a maneira como o autor trata a relação do homem como a natureza, ou o que outros autores chamam de aparato não-humano. Já que a Antropologia atual parece querer reencantar a natureza como complementar à cultura, ele relata muito bem a indissociabilidade dos grupos de seus espaços, porém não como configurados por estes. Ao contrário, ele relata possibilidades de relacionamento interétinicos em que o meio é parte das relações, mas não a ponto de defini-las. São tantos os aspectos interessantes que me estenderia demais em comentar. Vale a pena ler para alargar nossas próprias fronteiras.

alessandra disse...

Essa discussão nos mostra que grupos étnicos mantém na fronteira étnica, o "nós" confrontado com o "eles". O grupo se mostra firme, com caráter imperativo, em sua identidade étnica.Esses padrões também guiam conceitos morais e sociais para o grupo.Assim, é formada uma organização do grupo para manter sua legitimidade. A articulação interétnica ocorre mediante à fronteira. O conjunto de valores permanecem no indivíduo mesmo interagindo com outros conjuntos sociais. Assim, os sistemas sociais poliétnicos atuam, movidos pelo contexto social.Os grupos sociais apresentam características complementares como fator de interdependêcia. Os grupos étnicos tendem a manter padrões culturais a serem preservados no grupo. Barth nos mostra também, como o idioma serve como fator a ressaltar as fronteiras dos grupos étnicos.
Alessandra Souza.

Amanda Mustafa disse...

Qual o o conceito ou definição do termo
Identidade para Barth?