sábado, 22 de junho de 2013

Resenha do livro “Racismo e Anti-racimo no Brasil”, de Antônio Sérgio Alfredo Guimarães.


por Mayara  Oliveira de Jesus
O livro em questão é fruto das reflexões do autor durante um programa de pesquisa produzido por ele no fim da década de 90. Essa obra é muito importante por trazer conceito de raça ao debate, apresentando não só a ideia de raça entendida pelo senso comum como também sobre como surgiram diferentes conceitos ao longo do tempo e entre vários estudiosos no Brasil.
Guimarães organizou a obra em três partes distintas: 1) aborda os conceitos e teorias sobre o que seria raça e racismo; 2) traz a crítica analítica dos estudos realizados no Brasil entre as décadas de 40 e 70 sobre relações raciais; 3) apresenta reflexões sobre políticas públicas. Porém, é importante destacar que a discussão da qual tratarei aqui está pautada no prefácio e no primeiro capítulo da obra.
Em seu prefácio, Guimarães aponta raça como um conceito social de classificação que serve para legitimar as desigualdades nos âmbitos sociais, culturais de maneira a serem recebidas/entendidas de forma naturalizada. Sendo assim, o racismo para Guimarães, se encontra presente de modo implícito na ideia de natureza geral que irá determinar os aspectos socioculturais e individuais entre as diferentes relações sociais. Ou seja, o autor defende a ideia de que o racismo está ligado a uma estrutura estamental que naturaliza e legitima as desigualdades sociais.
Partindo dessas afirmações, Guimarães critica os estudos que atribuem à ideia de raça um caráter mais biológico e fenotípico, isso por entender que o conceito de raça tem que ser analisado através das ciências sociais, se afastando de argumentações genéticas e naturais. A noção está no âmbito das classificações sociais e, portanto, o autor define que os conceitos de raça e de racismo devem ser vistos como realidades sociais e não biológicas ou naturais.
Um ponto importante ressaltado pelo autor é o cuidado que se deve tomar quanto ao caráter generalizante, atribuído ás relações sociais (gênero, classe, entre outras). Ele defende a ideia que existem peculiaridades nas teorias e critérios para a distinção de cada contexto de relação. Desse modo, Guimarães acredita que só é possível entender o racismo de modo mais específico se ele for analisado a partir de seus aspectos históricos particulares, em contextos espaciais e temporais específicos.
Enfim, a partir de tal discussão pode-se constatar que as hierarquias sociais presentes nas diversas relações sociais estão sustentadas por um discurso de ordem natural que se legitimam através de teorias da natureza (biológica, genética e etc). Assim sendo, para Guimarães, o processo de naturalização está presente nas distintas formas de hierarquias sociais como um traço fundamental nas relações de dominação.  

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